segunda-feira, 30 de março de 2015

AS TRÊS TENTAÇÕES

Neste início de Semana Santa, reflitamos junto com o Pe. Nicolás Schweizer, sobre as três tentações, publicado em Reflexões No. 28, de 01.02.2008.

A Quaresma é um tempo privilegiado para afinar a meta de nossa vida e repassar nossos objetivos. Às vezes resulta uma revisão dolorosa e que exige sacrifícios.

Jesus também passou por isso. Duvidou, buscou, foi tentado, ao largo de sua vida, e se impôs pela força e poder. Reflexionemos sobre suas três tentações e veremos que são as nossas também.

1. A primeira, poderíamos chamar de tentação do consumo. "Diga que estas pedras se convertam em pão". É dizer, se quiseres, podes dar de comer a todos os homens. Sofrem, têm fome, não têm trabalho - podes assegurar-lhes o bem estar material que desejam. Podes fazer milagres, o "milagre econômico".

Ele responde: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Mas Jesus não nos pede que nos desinteressemos dos bens temporais. No Pai Nosso nos faz pedir: "Dá-nos hoje nosso pão de cada dia". Temos que lutar pelo pão de cada dia. Temos que lutar por nós e por todos os homens.

O que o Senhor nos pede é lutar contra a alienação do consumo e contra a ilusão de crer que a felicidade do homem coincide com a meta do consumo. Ele nos diz que o coração do homem reclama outros alimentos diferente do "ter". E os pais entre nós sabem muito bem que seus filhos não só necessitam bem estar material, mas que precisam também de seu tempo, sua atenção, sua palavra e seu amor.

Como uma criança, o homem necessita do amor de Deus seu Pai, desse Deus que falou e que tem algo que dizer-nos. E enquanto os homens não escutem esta palavra e enquanto não tratem de vivê-la, persistirá neles uma fome insatisfeita que os converterá em homens subalimentados e infelizes.

Todos formamos parte de nosso mundo e de nossa sociedade. E todos somos escravos do consumo, de uma ou outra forma: Pensemos no nosso carro, esse pequeno deus; no conforto da casa; nos brinquedos das crianças nos livros, que tal vez nunca serão lidos; em nossos vestidos e nossa roupa, etc.

Temos fome de pão, fome de coisas materiais. Mas, temos também fome de Deus?

2. A segunda tentação de Jesus é a tentação do poder, a tentação de utilizar a força de seu Pai em proveito próprio. Mas Ele a rejeita: "Não tentarás ao Senhor, teu Deus". É dizer: Tu não exigirás que Deus se coloque a teu serviço. Tu és quem há de servi-lo. A força de Jesus consiste em colocar-se plenamente a disposição de seu Pai, para servir aos irmãos.

Nós não nos livramos da tentação de utilizar a Deus, de colocá-lo a nosso lado, é dizer, de metê-lo em "nosso bolso". Quantas vezes, a través da história, grupos humanos, nações, governos, exércitos ou partidos políticos tentaram aproveitar-se dos cristãos, da Igreja, de Deus, para levar a cabo seus próprios projetos!

E nós mesmos, não rezamos muitas vezes o Pai osso às avessas: "Pai nosso que estais no céu, faça-se minha vontade”. É dizer, nos colocamos no centro, nos fazemos deus, no lugar dEle. E quantos homens se afastam assim de Deus, porque Deus não os obedeceu!

3. A tentação da idolatria. Tal vez pensemos: esta vez não me toca, são os pagãos os que adoram aos ídolos.

Mas também em nosso mundo de hoje surgiram muitos ídolos: Desde o grande ídolo do dinheiro que adoramos todos, um pouco mais… ou menos. Até a multidão de ídolos ante os quais nos ajoelhamos diariamente: o maço de cigarros, ou a boa comida, a televisão, a moda, nosso corpo, também nossas ideias ou projetos.

Todos esses deuses fazem que pouco a pouco, e talvez sem dar-nos conta, vivamos inclinados, incapazes de viver de pé e de poder ajoelhar-nos livremente ante o único Deus.

Perguntas para a Reflexão

1. Por que tipo de felicidade estou lutando?
2. Que mundo estou construindo?
3. Sou "explorador" de Deus, ou sou seu servidor e servidor de meus irmãos?


crédito da foto: photopin.com

segunda-feira, 23 de março de 2015

A MULHER E O TRABALHO

O tema da mulher e o mercado de trabalho é sempre controverso. Se por um lado as mulheres alcançaram uma grande fatia do mercado de trabalho, exercendo cargos, até pouco tempo impensáveis para elas, contribuindo bastante no orçamento doméstico, por outro lado muitas mães ficam sobrecarregadas com a dupla jornada, fora e dentro do lar e ainda sentem-se culpadas por não ficarem tempo suficiente com o marido e os filhos.

A reflexão que se deseja fazer aqui é: até que ponto é um bem para a família a mãe trabalhar fora de casa. Muitas são as razões que levam uma mãe a procurar emprego: dificuldades financeiras, desejo de uma carreira que seja valorizada pela sociedade, vontade de faze algo que lhe dê mais prazer, pressão do marido para ajudar no orçamento, entre outras.

Quando a família passa por sérias dificuldades financeiras, onde existe o risco de faltar o essencial para a subsistência (casa, a comida, roupas, etc), não há muito o que se pensar: o trabalho fora de casa é uma necessidade para a mãe.

"Muitas pessoas acreditam que precisam de uma segunda fonte de renda para melhorar o orçamento doméstico, porém muitos estudos demonstra que ao se deduzirem as despesas como o cuidado com as crianças, guarda-roupa para o trabalho, almoços, viagens e outros itens, a família tende a manter apenas 10% da segunda fonte de renda. Para a maioria das pessoas, este montante não faz tanta diferença.
Outros trabalham porque seu valor pessoal depende disto. Enquanto trabalhos significativos pessoalmente são importantes para uma identidade forte e saudável, a pessoa deve tomar cuidado para não resumir a sua identidade a partir do que se faz. Quando você é dependente do seu trabalho para definir seu valor pessoal, você se expõe a ser explorado por empregadores que não se importam com sua vida familiar, e você se expõe a ser conivente com a atitude de que sua carreira é mais importante que seu cônjuge e filhos. E claro, ela não é.
A chave para tanto homens e mulheres que trabalham fora de casa é lembrar que como cristãos, quem somos é melhor representado pelos valores que possuímos e as prioridades que exemplificamos em nossa vida diária - não os nossos trabalhos. É preciso muita coragem para viver isto, mas o esforço traz suas próprias recompensas na forma de maior intimidade no lar, paz interior e uma visão mais profunda e espiritual da vida, ao invés de simplesmente uma visão de simples sobrevivência."[1]

O que se verifica em grande parte dos casos é de mães que se ausentam do lar, para priorizar suas carreiras, buscando fora de casa sua realização pessoal como pessoa, como mulher. E muitas vezes o resultado disso são filhos educados por terceiros (escolas, babás, parentes) e mães que se sentem frustradas e não conseguem essa almejada realização pessoal, nem como mães, nem como profissionais.

"Em primeiro lugar, o nosso trabalho é o trabalho de uma mãe. Em parceria com nossos maridos e de acordo com o plano de Deus, trazemos a vida a este mundo (...) nutrimos e cuidamos das necessidades cotidianas dos mais preciosos presentes de Deus, nossos filhos, e somos as ajudantes de nossos cônjuges. Transmitimos os tesouros de nossa fé para nossas famílias e garantimos sua educação formal. Nosso trabalho diário consiste nas tarefas de dirigir e organizar as nossas casas, alimentar as nossas famílias e fazer o nosso melhor para nos mantermos saudáveis durante o processo."[2]
A questão maior é o fato do trabalho no lar não ser devidamente valorizado. Nas últimas décadas, as meninas foram educadas para serem profissionais, para escolher uma carreira, deixando de lado a importância do papel da mulher como esposa e mãe. É muito raro ver famílias onde é explicado para a menina o grande valor de ser esposa, de ser mãe, de saber cuidar e administrar um lar. E isso faz com que as jovens priorizem sempre a carreira profissional fora do lar, pensando que a mulher que fica em casa para cuidar do marido e dos filhos, na verdade, é uma pessoa incapaz, que não conseguiu emprego ou está “desperdiçando” seu potencial se dedicando exclusivamente para a sua família.

É urgente que esta questão seja revertida, pois o trabalho da mulher dentro de casa e o papel da mãe junto a seus filhos, especialmente na primeira infância, é primordial para o desenvolvimento deles, para a criação de um vínculo afetivo saudável, enfim, para o bem estar de toda a família.

"Todos nós queremos saber que estamos fazendo um bom trabalho. Só que, no trabalho de uma mãe, no entanto, não há avaliações de desempenho anuais ou aumentos salariais por mérito. Estamos fazendo algo a longo prazo e é provável que não vejamos por muitos anos o resultado final de todos os nossos esforços. Embora possamos ser capazes de realizar as tarefas de 'dobrar a roupa' e 'lavar a roupa' rapidamente e logo riscá-las de nossa lista de tarefas do dia, nosso trabalho nunca está verdadeiramente completo."[3]
“Não há dúvida que a igual dignidade e responsabilidade do homem e da mulher justificam plenamente o acesso da mulher às tarefas públicas. Por outro lado, a verdadeira promoção da mulher exige também que seja claramente reconhecido o valor da sua função materna e familiar em confronto com todas as outras tarefas públicas e com todas as outras profissões. De resto, tais tarefas e profissões devem integrar-se entre si se se quer a evolução social e cultural seja verdadeira e plenamente humana. (...) Portanto, a Igreja pode e deve ajudar a sociedade atual pedindo insistentemente que seja reconhecido por todos e honrado no insubstituível valor o trabalho da mulher em casa. Isto é de importância particular na obra educativa: de fato, elimina-se a própria raiz da possível discriminação entre os diversos trabalhos e profissões, logo que veja claramente como todos, em cada campo, se empenham com idêntico direito e com idêntica responsabilidade. Deste modo aparecerá mais esplendente a imagem de Deus no homem e na mulher.

Se há que reconhecer às mulheres, como aos homens, o direito de ascender às diversas tarefas públicas, a sociedade deve estruturar-se, contudo, de maneira tal que as esposas e mães não sejam de fato constrangidas a trabalhar fora de casa e que a família possa dignamente viver e prosperar, mesmo quando elas se dedicam totalmente ao seu próprio lar.

Deve, além disso, superar-se a mentalidade segundo a qual a honra da mulher deriva mais do trabalho externo do que da atividade familiar. Mas isso exige que se estime e se ame verdadeiramente a mulher com todo o respeito pela sua dignidade pessoal, e que a sociedade crie e desenvolva as devidas condições para o trabalho doméstico.”[4]

Outro fator que deve ser analisado é o fato de muitas mulheres postergarem a maternidade para “investirem” em suas carreiras e quando decidem ser mãe, após os 35 anos de idade, encontram muitas dificuldades para engravidar, o que causa muito stress e frustrações. Então, buscam métodos artificiais para conseguir a gravidez, o que pode trazer muitos riscos para a sua saúde, podendo chegar inclusive ao extremo de contratar “barriga de aluguel”.

Toda escolha tem suas consequências e é necessário ter bem claro quais são as implicações para toda a família de ter a mãe trabalhando fora de casa ou de adiar a chegada dos filhos em virtude da carreira. O marido também precisa estar bem consciente destas consequências, antes de pressionar sua esposa para voltar ou permanecer no mercado de trabalho, pensando apenas na divisão de sua responsabilidade em prover a família.

Não se pretende aqui que todas as mulheres abram mão de suas carreiras para ficar com suas famílias, mas que ao menos façam uma séria reflexão do que realmente é importante para sua felicidade e a felicidade de sua família e qual a melhor maneira de conciliar estes interesses.
A economista norte-americana Sylvia Ann Hewlet, publicou um livro chamado “Creating a life: Women and the Quest for Children” onde sugere algumas dicas para as mulheres que pretendem conciliar o trabalho e a família:
1.                  “ Imagine que tipo de vida você quer ter aos 45 anos. Se pretende ter filhos (cerca de 86% a 89% das mulheres com salários entre 55 mil e 65 mil dólares anuais querem ser mães) é essencial que você se comprometa com a ideia, e aja rapidamente.
2.                   Tenha o seu primeiro filho antes dos 30. O milagre da maternidade tardia, pouco comum, traz muitos riscos e a sua possível não realização, muitas frustrações.
3.                  Escolha uma carreira que lhe permita controlar seu tempo. Certas carreiras dão mais flexibilidade e não se ressentem tanto de interrupções.
4.                  Escolha uma empresa que se comprometa a ajudá-la a atingir o ponto de equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Descubra se a empresa tem programas de jornada reduzida e se concede licença com garantia de retorno ao trabalho (...)
Não digo que joguem fora a sua carreira, mas para as mulheres em torno dos 30 anos, idade em que fundar uma família e ter filhos é relativamente fácil, esta deve ser a prioridade, e não o trabalho.".[5]
"Nosso trabalho, como mães, é colocar os nossos filhos e sua educação no centro de nossas vidas. Como isso vai parecer e como as coisas vão ficar em cada lar será diferente. Você sabe em seu coração se está dando a Deus as 'primícias' de seu trabalho diariamente. Seja dentro ou fora de nossas casas, temos que ter orgulho do nosso trabalho e oferecê-lo como nossa oração diária."[6]
Ser mãe é ao mesmo tempo uma dádiva de Deus e uma grande tarefa, que precisa ser exercida com muita responsabilidade, dedicação, amor, abnegação e sacrifício.  Toda mulher deveria procurar desenvolver ao máximo este dom da maternidade, inclusive a maternidade espiritual (para aquelas que não são mães fisicamente), pois desta maneira conseguirá alcançar todo o potencial para o qual foi criada, obtendo a tão sonhada realização pessoal.
"Como trabalhadoras em nossos cantinhos da vinha do Senhor, vamos fazer as seguintes perguntas quando se trata de discutir o nosso trabalho:
- Estou escutando e respondendo 'sim' ao chamado único de Deus em minha vida?
- Estou colocando as necessidades do meu marido e de meus filhos no topo das minhas prioridades na vida?
- Estou oferecendo o desempenho de minhas tarefas de cada dia e de minhas responsabilidades como uma oração?
- Estou realizando a minha vocação no máximo de minha capacidade, com orgulho do meu trabalho, independentemente de quão insignificante ou sem importância o mundo em geral possa considerar que ele seja?
- Eu faço o meu trabalho com o coração alegre? Estou me sentindo ressentida, crítica, arrogante ou indiferente em meu serviço para com os outros?
- Estou realizando o meu trabalho para fins egoístas pelo reconhecimento público, ou em busca de bens materiais?
- Tenho dado graças a Deus hoje através de minhas ações e glorificado o Senhor através do fruto do meu trabalho?" [7]



[1] Tradução livre do livro "Parenting with Grace - The Catholic Parent´s Guide to Raising Almost Perfect Kids", Gregory K. Popcak e Lisa Popcak, 2a. edição, Ed. Our Sunday Visitor, 2010, EUA
[2] "O Manual da Mãe Católica", Lisa M. Hendey, Ed. Ave Maria, 1a. ed., 2013, pg.138
[3] "O Manual da Mãe Católica", Lisa M. Hendey, Ed. Ave Maria, 1a. ed., 2013, pg.142
[4] Exortação Apostólica de João Paulo II “A missão da família cristã no mundo de hoje”, item 23
[5] http://noticias.cancaonova.com/imprimir.php?id=152392
[6] "O Manual da Mãe Católica", Lisa M. Hendey, Ed. Ave Maria, 1a. ed., 2013, pg.140
[7] Tradução livre do livro "Parenting with Grace - The Catholic Parent´s Guide to Raising Almost Perfect Kids", Gregory K. Popcak e Lisa Popcak, 2a. edição, Ed. Our Sunday Visitor, 2010, EUA
crédito da foto: photopin.com

quarta-feira, 18 de março de 2015

CONSAGRAR A FAMÍLIA A NOSSA SENHORA

O ideal da família, a Sagrada Família de Nazaré, é muito elevado e não é possível atingi-lo sem o auxílio da graça divina. Para que a graça possa atuar, é necessário que cada pessoa esteja receptiva, procurando ser cada dia melhor e sinceramente pedindo esta graça da transformação interior e da santificação da sua família.
Um dos meios mais eficazes para conseguir caminhar rumo ao ideal da família, é a consagração à Nossa Senhora, pois ela é a auxiliar permanente de Cristo, considerada a Medianeira de todas as Graças e sua missão, como Serva do Senhor, é ajudar a todos os seus filhos a progredirem no caminho do bem e da virtude.
Consagrar a família à Nossa Senhora significa colocar o cuidado pela família, o sustento material, a educação dos filhos, tudo nas mãos da Mãe de Deus, para que ela assuma esta responsabilidade de velar pela felicidade da família, para que a família consiga realizar seu ideal de ser a mais bela comunidade de vida e de amor.
 Esta Mãe cheia de graça deseja continuar a sua missão, que é conduzir todos a seu divino Filho Jesus e, ao consagrar a família a seus cuidados, ela realmente assume a condução do lar para que cada membro alcance o ideal pensado por Deus Pai a cada um e assim se tornem realmente pessoas felizes e realizadas.
“Maria – mãe, esposa e educadora na família de Nazaré – quer continuar sua tarefa hoje, criando famílias à imagem e semelhança da sua. Ela é especialista na questão familiar. Como mãe verdadeira, compreende as dificuldades, anima na luta, consola na dor, dá forças apara a forjadura do amor e da unidade familiar. Educadora eficaz, ela assinala os ideais mais elevados e concede energias para alcançá-los, atuando realmente nos corações. Ela realiza sua tarefa educativa pela influência e pela irradiação de sua personalidade. Os exemplos formam mais do que as palavras. Sua presença do seio da família cria uma atmosfera de afeição, alegria, intimidade, abnegação e paz. Nela se acham encarnadas as virtudes plasmadoras de uma ‘Igreja doméstica’.”[1]
“Por isso, aonde Ela ia, criava um ambiente de lar: na casa de Isabel, em Cana, no Cenáculo. E desde então aonde chega, cria família de imediato, converte os homens em filhos e irmãos. Assim foi em sua vida terrena e essa é a graça própria que Ela reparte agora desde o céu.”[2]
A forma de consagrar a família à Nossa Senhora pode ser bastante simples, uma oração de consagração é suficiente, sendo aconselhável montar no lar um pequeno oratório, com a imagem de Nossa Senhora, uma Cruz, talvez com um local para acender uma vela, ou realizar a leitura bíblica.
Todavia, a vivência e o cultivo desta consagração é que são mais importantes, podendo ser refletida na oração do terço, individual ou em família, orações diárias renovando esta consagração, novenas, peregrinações a Santuários marianos, enfim, tudo aquilo que demonstre o amor da família pela Mãe de Deus e sua intenção de que ela cuide e proteja cada membro da família.
Pouco a pouco é necessário adotar um estilo de vida mariano, ou seja, pai, mãe e filhos devem procurar viver unidos no amor, o que implica saber compartilhar as dores e alegrias, buscando realizar a vontade de Deus para suas vidas, lutando por este bem comum, este projeto de vida, pois esse é o exemplo da vida de Maria[3].
Além de consagrar o lar à Nossa Senhora é possível também transformá-lo em um verdadeiro Santuário, um local onde Deus atua de forma extraordinária através de Maria, realizando até mesmo milagres físicos e espirituais.
Para que isso seja possível, cada membro da família deve se esforçar diariamente pela santificação própria, em ser uma pessoa melhor, buscando realizar o ideal para o qual foi criado.
Muitas são as graças que Deus pode nos conceder através de Maria, em nosso Santuário-lar: a harmonia do casal, a compreensão de cada filho, a abertura ao diálogo, a superação de falhas de caráter ou de temperamento, o sentir-se abrigado em Deus, a transformação interior de cada membro da família, o ardor pelo apostolado, por desejar transmitir toda a riqueza do próprio lar para outras famílias, enfim, muitas e muitas graças.
“A Virgem Maria assume a responsabilidade de criar em nossas famílias, um pequeno paraíso. Ela quer formar e educar nossas famílias como reflexo de sua própria família, a Família de Nazaré. Que características tem essa família ideal, esse paraíso familiar? A Virgem quer criar em nossos lares um paraíso de amor: amor paternal, amor filial, amor a Deus e a Maria, amor aos irmãos. E também quer transformar nossa família em um paraíso de pureza, de alegria e de liberdade. Nele devem reinar a verdade e a justiça, o espírito de luta e de vitória.(...) Com outras palavras, a Santíssima Virgem pretende fazer de cada uma de nossas famílias um pequeno reino de Deus.[4]
Portanto, para transformar a casa em um verdadeiro Santuário de Nossa Senhora, é preciso consagrar a família inteiramente a ela e esforçar-se sempre pela santidade, realizando a parte que cabe a cada um, o 1% (um por cento) da colaboração humana, sendo que o restante, os outros 99% (noventa e nove por cento) a Mãe de Deus certamente realizará.
Toda família que busca transformar seu lar em um Santuário, assume como missão dar o testemunho da influência de Cristo e de Maria em sua vida matrimonial e familiar. É uma experiência que não pode ficar limitada aos muros da própria família: esta beleza da autêntica família cristã, reflexo da Sagrada Família de Nazaré, tem que ser levada a todos os cantos do mundo.



[1] “Maria um exemplo de mulher”, STRADA, Angel L., p. 222, Editora Ave Maria, 3ª edição, 1998, São Paulo
[2] Pe. Nicolás Schweizer, publicado em Reflexões No. 35 de 15.05.2008
[3] “Maria um exemplo de mulher”, STRADA, Angel L., p. 223, Editora Ave Maria, 3ª edição, 1998, São Paulo
[4] idem

sexta-feira, 13 de março de 2015

PAI, MÃE E FILHOS ESTÃO ENTRELAÇADOS POR UM PROFUNDO E ÍNTIMO AMOR

Na Sagrada Família de Nazaré tudo girava em torno do amor: afinal o próprio Amor se encarnou e tornou-se pessoa em Jesus Cristo. O amor puro que reinava naquele lar e envolvia todos os seus membros deve ser o ideal máximo de cada família cristã.
No lar de Nazaré este amor era vivenciado através do serviço, da doação de si mesmo de cada membro em prol de toda a família.
“A vida de Cristo nos diz que ‘Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos’ (Mt 20,28); na hora da Anunciação, Maria se define como a ‘serva do Senhor’ e permanece fiel durante toda a sua vida a esta proclamação, vivendo plenamente tudo que encerra o servir, torna-se ‘discípula’ de Cristo. É a primeira entre aqueles que ‘servindo a Cristo também nos outros, conduzem os seus irmãos, com humildade e paciência, àquele Rei, a quem servir é reinar.’ O servir de Maria foi um reinar, pois alcançou plenamente o ‘estado de liberdade real’, que é próprio dos discípulos de Cristo.
Com José, mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, podemos aprender a servir a ‘economia da salvação’.
Assim como Jesus, Maria e José expressaram o dom de si mesmo, servindo um ao outro reciprocamente, cada família também é chamada, através do empenho diário, a este serviço, promovendo a autêntica comunidade de pessoas, fundada e alimentada na íntima comunhão de amor.”[1]
O amor é também sinônimo de sacrifício. “O amor genuíno é sempre um amor sacrifical.”[2]Assim, caso o marido, a esposa ou até mesmo os filhos não se sintam bem dentro de seu lar, devem se questionar em primeiro lugar como poderiam se sacrificar mais, o que mais poderiam oferecer aos outros membros da família e não o que a família não lhe ofereceu. “O que eu oferecer à família, como pai ou mãe, retorna enriquecido. Se eu apenas faço exigências, nada recebo. Amor sacrifical! Vejam então: a autenticidade do amor se confirma pelo sacrifício, não apenas pelo trabalho, sim especialmente pelo esforço de carregar e suportar as contrariedades. (...) Temos de aprender a suportar-nos mutuamente, a complementar-nos e a confirmar que existe de nobre no outro, compreendendo suas fraquezas.”[3]
Portanto, o amor nas famílias deve ser refletido nas atitudes do pai, da mãe e dos filhos, através do serviço que cada um presta aos demais e dos sacrifícios que fazem para o bem da família. Deve ser também um amor que mutuamente se aceitam, se sustentam e se suportam, independente das falhas e limitações de cada um, pois foi Deus quem uniu a família e proverá todos os meios para que ela se torne esta comunidade de amor, dependendo unicamente da boa vontade de seus membros.



[1] “A Sagrada Família – Fundamento da espiritualidade familiar segundo João Paulo II”, PRATES, Ir. M. Teresila p.83-84, Editora FV

[2] “Família Serviço à Vida”, Pe. José Kentenich, Vol. I, pg. 95, 1994, Editado pelo Instituto das Famílias de Schoenstatt, Vallendar/Alemanha
[3] idem

sexta-feira, 6 de março de 2015

O FILHO ESTÁ NO CENTRO

Na Família de Nazaré o filho sempre está no centro. Observa-se na narrativa da fuga para o Egito (Mt 2, 13 e ss), que José e Maria prontamente seguem para uma terra estranha tendo na mente sempre o cuidado com o filho, não importando quantos sacrifícios sejam exigidos. Depois permanecem o tempo necessário, vivendo em condições muito difíceis, até que o filho não corra mais perigo e possam voltar para sua terra natal. E ainda, quando Jesus precisa partir para a sua vida pública, para cumprir os planos de Deus, Maria também precisou renunciar a seu filho. A preocupação pelo bem do filho está sempre em primeiro lugar.
A responsabilidade pelo cuidado do filho abrange três aspectos: o bem estar corporal, o bem estar psíquico/intelectual e a vida religiosa. Esta responsabilidade não pode ser delegada a outras instituições como a Igreja ou a escola, sendo própria dos pais.
Os pais não podem limitarem-se a ser simples fornecedores de bens econômicos, mas devem ser verdadeiros educadores de seus filhos e isto exige um alto grau de sacrifício e de autoeducação. Tudo o que irromperá, no futuro, na vida do filho se fundamenta dentro da família.
Pai e mãe precisam estar sintonizados no mesmo ideal: ter como objetivo principal o cuidado e a educação do filho. Evidentemente isto não significa fazer todas as vontades do filho, ou torná-lo um verdadeiro tirano do lar; mas todas as decisões que envolvem a família devem ser tomadas tendo como em primeiro lugar o bem estar dos filhos.
“Procuro minha grandeza no bem estar dos filhos. Para isso eu vivo e morro. O resto deixo andar. Esta é a paternidade genuína, a maternidade genuína, e é isto que devemos fazer. (...) Devemos sintonizar-nos impulsivamente com o ideal, para o qual desejamos educar os filhos. Sintonizar-nos, não apenas conforme a razão e a vontade, mas também mediante os impulsos. Isto é algo tão grandioso.”[2]
 O filho é, em primeiro lugar, filho de Deus e os pais são os responsáveis pelo cuidado desta alma imortal e depois deverão prestar contas a Deus da educação que proveram a seus filhos. Os pais não são “donos” do filho, pois o filho pertence a Deus. Como filho de Deus, a criança demanda todo o respeito, o carinho e o cuidado e qualquer negligência nestes aspectos, afeta negativamente sua personalidade e até mesmo a salvação da sua alma no futuro.
Ter o filho sempre no centro das ocupações dos pais significa buscar ser uma pessoa melhor, um pai e uma mãe mais santos, pelo bem do filho, para que ele, olhando o exemplo dos pais, também consiga vencer suas limitações e se tornar um verdadeiro filho de Deus.
Tudo o que o pai e a mãe fizerem, devem fazer pensando no filho. Quanto maior for a qualificação moral dos pais, mais dotes transmitirão para os filhos. Por isso os pais devem ser incansáveis na busca de seu aperfeiçoamento pessoal, na educação de seu temperamento, na valoração de suas qualidades e mitigação de seus defeitos. Todo este trabalho de autoeducação refletirá positivamente na vida e na educação do filho.
Como pode funcionar isso na prática? Por exemplo: se o filho é muito bagunceiro, não deixa nada em ordem, não consegue organizar seus afazeres, então em primeiro lugar o pai e a mãe devem se perguntar se eles mesmos não possuem este tipo de dificuldade em suas próprias vidas, se também não tem algo de desordem no seu dia-a-dia. Então, devem primeiro lutar consigo mesmo para conseguir vencer esta dificuldade, para então cobrar do filho a ordem e a disciplina. Desta forma, a educação realmente alcançará resultado e não ficará apenas “da boca pra fora”.
Outro exemplo: se a filha adolescente flerta com os rapazes de uma maneira muito sensual, se gosta de despertar o desejo, de uma maneira que os pais receiem que possa acontecer algo, eles podem simplesmente proibir a filha de agir desta forma? Claro que sim, porém será que surtirá o efeito desejado? A experiência mostra que quanto mais se proíbe, mais os jovens e adolescentes buscam o proibido.
Então, os pais devem em primeiro lugar procurar em si mesmos se não há algum tipo de desordem sexual, ou até mesmo em relação a outros instintos, como o de auto-conservação (comer, beber, dormir) e daí lutar para vencer em si mesmos estes desejos desordenados, a falta de domínio, para que possam se apresentar diante da filha e lhe dizer o que deve fazer.
Portanto, o ideal da Família de Nazaré mostra que o filho deve estar sempre em primeiro lugar na família, se transformando na principal ocupação dos pais, através do seu esforço constante para vencer em si mesmos as imperfeições de seus filhos e assim prepará-los para um dia, chegar ao Céu.



[2] “Família Serviço à Vida”, Pe. José Kentenich, Vol. I, pg. 54, 1994, Editado pelo Instituto das Famílias de Schoenstatt, Vallendar/Alemanha
credito da foto: photopin.com

domingo, 1 de março de 2015

SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ - MODELO PARA TODAS AS FAMÍLIAS



A Sagrada Família de Nazaré é o modelo para todas as famílias, pois realizou de maneira exemplar o projeto de Deus para a família, tornando-se a mais bela comunidade de vida e de amor.
Para que se possa seguir o exemplo da Sagrada Família, é necessário conhecer quais são suas características principais. Destacam-se três destas características: “Primeira: na Família de Nazaré, pai e a mãe têm a posição que lhes é própria, conforme a intenção de Deus, desde toda a eternidade; Segunda: na Família de Nazaré, o filho está no centro; Terceira: na Família de Nazaré, pai, mãe e filho estão unidos e entrelaçados pelo laço de um profundo e íntimo amor.”[1]
1. PAI E MÃE TEM A POSIÇÃO QUE LHES É PRÓPRIA
No modelo da Família de Nazaré a autoridade paterna ocupa o lugar central. Nos Evangelhos observa-se que sempre que Deus comunicava-se diretamente com a Sagrada Família, se dirigia a S. José, seja quando o anjo apareceu para avisar sobre Herodes e levá-los ao Egito[2], seja quando deveriam retornar a Nazaré[3]. Maria também confirma a autoridade principal de S. José, quando, dirigindo-se a Jesus depois de encontrá-lo no Templo, diz “Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados à sua procura.”[4]
Interessante notar que na análise da dignidade das pessoas da Sagrada Família, Jesus, por ser Deus, está em primeiro lugar e Maria, por ser Imaculada e a Mãe de Deus, está em segundo e só então está S. José, o homem justo. Mesmo assim, a autoridade de S. José está em primeiro plano no lar de Nazaré.
Desta forma, para realizar os planos de Deus para a família, a autoridade do pai deve estar sempre em primeiro lugar. Esta autoridade, todavia, não pode ser confundida com autoritarismo, com poder absoluto ou opressão sobre os outros membros da família.
A autoridade paterna sadia é aquela que reflete a autoridade de Deus Pai. No pai, os filhos devem poder vivenciar a paternidade de Deus. Se os filhos experimentam um reflexo de Deus em seu pai terreno, fica mais fácil ter, através deste pai terreno, uma imagem correta de Deus Pai. E se como filho ou filha tenho uma imagem correta de Deus, toda minha vida estará assegurada. Um exemplo marcante é o de Santa Terezinha do Menino Jesus, que quando olhava para o seu pai rezando, ali via o rosto de Deus.
O Papa São João XXIII assim se dirigia aos pais: “Que o pai seja o representante de Deus na família e que se imponha aos outros, não somente pela autoridade, mas sobretudo pelo exemplo de uma vida irrepreensível.”[5]
A missão do pai é educar os filhos para a obediência e a coragem. “Meus filhos devem aprender de mim, pai, a serem corajosos. A vida, mais tarde, exige coragem. Não deve ser brincadeira. Mas também uma vigorosa obediência e seguimento à minha autoridade e não a qualquer tipo de lei.(...) Não temos que seguir uma lei, mas à encarnação da lei no pai.”[6]
A autoridade da mãe é aquela que se apoia na autoridade paterna. A mãe é quem conduz os filhos ao pai, pois sem ela os filhos poderiam nem saber quem é seu pai. Uma função primordial da mãe é proteger esta autoridade do pai, colocando sempre o pai em primeiro plano.
Muitas mulheres atualmente, com o conceito errôneo ditado pelo feminismo de que não deve ser submissa ao homem, acabam por destruir suas próprias famílias ao deteriorar a autoridade paterna e ao tentar elas mesmas assumirem a função que é própria do pai.
A missão da mãe, tendo em visa a natureza psicológica da mulher que é voltada para a doação, é educar os filhos para a renúncia e a capacidade de suportar os contratempos da vida. Desta forma, cabe à mãe é ser uma escola de força, ensinar os filhos a capacidade de querer o bem e agir conforme esta decisão.
A mulher, em sua natureza, é mais aberta para a disponibilidade de sacrificar-se e esta força que adquire ao se doar aos demais, precisa passar para seus filhos, através do treino de sua vontade[7].
Este gosto pelo esforço, o prazer de conquistar algo através do empenho pessoal, da luta, do sacrifício, pode acontecer de várias formas, como por exemplo:
- o estimulo em praticar esportes e participar de competições, onde a criança aprende que só com seu esforço e treinamento conseguirá atingir seus objetivos;
- incentivar a fazer uma poupança, guardar parte da mesada, para adquirir algo de maior valor;
- trabalhar em um projeto juntos, por exemplo, de montar um brinquedo com lixo reciclável;
- preparar uma refeição junto com os filhos, para eles participarem de todo o processo e experimentarem como os ingredientes aos poucos vão se transformando numa refeição; etc...
Portanto, na família que tem como ideal a Sagrada Família de Nazaré, pai e mãe precisam ocupar o lugar que lhes é próprio, segundo os desígnios de Deus, onde a autoridade paterna é a principal, sendo a “cabeça” da família e a autoridade materna é aquela que apoia o pai. Nela o pai educa para a autonomia e a coragem e a mãe educa para a renúncia e a capacidade de suportar os contratempos da vida.



[1] “Família Serviço à Vida”, Pe. José Kentenich, Vol. I, pg. 23, 1994, Editado pelo Instituto das Famílias de Schoenstatt, Vallendar/Alemanha
[2] Mt 2,13                           
[3] Mt 2,19
[4] Lc 2, 48
[5] “Lares autenticos não se improvisam”, ARESI, Ricardo, 13ª edição, pg. 214 Edições Paulinas, São Paulo, 1980
[6] “Família Serviço à Vida”, Pe. José Kentenich, Vol. I, pg. 50, 1994, Editado pelo Instituto das Famílias de Schoenstatt, Vallendar/Alemanha
[7] Verificar o exposto no Capítulo 5, especialmente o tópico sobre a educação para a liberdade.
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