terça-feira, 27 de março de 2018

DEUS NÃO PRECISA DAS SUAS ORAÇÕES!


Deus não precisa de suas orações, nem de suas penitências, nem de seus jejuns. Ele não precisa que você vá à missa, nem receba nenhum dos outros sacramentos. Deus é onipontente, onipresente e onisciente. Ele não precisa de nada! Mas então porque a Palavra de Deus e a santa Tradição da Igreja pedem que você faça tudo isso? Seria tudo invenção humana para te “oprimir”?

A razão é simples: o plano do Pai para a sua vida é que um dia, você possa gozar das alegrias do Céu, junto dele. Só que para isso, você precisa vencer a si mesmo, ao seu egoísmo. E isso é uma tarefa dificílima. Como nosso Pai é rico em misericórdia e compaixão, Ele quer te ajudar. Na verdade, a sua graça pode fazer praticamente tudo sozinha. Só é necessário que você abra seu coração e aceite que Ele te molde e cuide de você.

O Pai só precisa de uma brechinha em seu coração para realizar grandes milagres de transformação interior. Depois que a graça entra em você, é preciso um mínimo esforço para colaborar com ela, para deixar que ela aja e aumente a cada dia a sua capacidade de amar.
É o amor que vai te levar para o Céu. Os santos, nossos irmãos que cumpriram com maestria sua missão aqui na terra, foram mestres na arte de amar. O contrário do amor não é o ódio, mas o egoísmo. Assim, quanto você ama, menos egoístas é e mais aberto está para realizar o que o Pai previu para a sua vida aqui na terra.

Como aprender a amar? Como conseguir dar essa brecha para a graça de Deus penetrar em nossos corações? Como ser perseverantes na colaboração com essa graça? É aqui que entra a necessidade da oração, dos sacrifícios, dos jejuns e da frequência aos sacramentos.

Deus não precisa das suas orações, mas você precisa rezar. É através da oração, desse contato com o Pai, desse momento de intimidade com Jesus, nosso Salvador, que seu coração se abre para receber a graça. Quanto mais você reza, quanto mais você pede (você pode pedir o que quiser, mas sempre lembrando de como Jesus nos ensinou a orar: “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu), mais seu coração se abre e se transforma.

Deus não precisa que você vá à missa, mas você precisa receber a Eucaristia. Na Eucaristia, Jesus se dá totalmente a você, em corpo, sangue, alma e divindade. Ele se torna uma só carne com você, para te fortalecer na luta para aprender a amar mais e amar melhor.

Deus não precisa que você se confesse, mas você precisa confessar para pedir perdão pelas vezes que falhou em amá-Lo e amar ao próximo, e assim se reconciliar com Ele para que Ele possa continuar agindo em seu coração, através do Espírito Santo.

Deus não precisa de seus jejuns e sacrifícios, mas você precisa jejuar e fazer penitência para conseguir se livrar do apego desordenado às coisas desse mundo e assim ficar mais livre para conseguir enxergar as necessidades do outro e ajuda-lo.

Deus não precisa que você faça nada disso, mas deseja ardentemente que você aceite esses meios que Ele mesmo providencia para a sua salvação, para que você cumpra a missão para a qual foi criado e seja também um mestre na arte de amar.

photo credit: Angela-xujing <a href="http://www.flickr.com/photos/153103713@N04/35471335134">The Church of Almighty God | Church life - Pray 04</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 15 de março de 2018

O MEDO DA CRUZ



Vejamos o que o Pe. Nicolás Schwizer, ISch, nos ensina sobre como nos livrar do medo do sofrimento. Esse texto foi publicado em Reflexões, No. 31, de 15.03.2008.

Nosso grande problema com respeito às cruzes é a entrega sem reservas. Creio que cada um de nós tem algo de que diria: “Virgem Santíssima, entrego-te tudo,… tudo menos isso!” Pensemos: quais são as dificuldades e penas que não queremos que Deus nos mande? Podem ser, por exemplo: enfermidade dos filhos, desonra, infelicidade conjugal, fracasso profissional, perda de um ser querido. 

É o medo frente a essas coisas o que nos tira a liberdade e a entrega, ou pelo menos a faz vacilante. Temos que vencer esse medo, porque é uma força que paralisa, que paralisa nossa entrega de filhos, e como conseqüência disso, nossa criatividade de pais. O Padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, foi um homem que não só foi capaz de dizer sim, apesar do medo, se não que nele foi tão grande a acolhida no coração de Deus e da Virgem, que perdeu o medo. 

O Padre Kentenich recebeu essa graça. E as graças do Fundador são transmitidas aos filhos. Essa graça de vencer o medo a transmitiu de maneira exemplar, por exemplo à Irmã Maria Emilie. Ela não era uma pessoa que tinha um medo normal, mas era uma pessoa psicologicamente enferma de medo, enferma de angustia desde criança. E o Padre Kentenich a curou, foi capaz de transmitir-lhe sua confiança filial.Ele também pode ajudar-nos a vencer nosso medo e nossos temores. 

Uma entrega sem medo e sem reservas seria então, dizer a Deus: podes fazer comigo tudo o que quiseres, mas especialmente isto ou aquilo ante o qual minha natureza se estremece. Isso é amor à cruz no pleno sentido da palavra.

Nossa atitude filial 

Não seremos capazes de assumir e viver esse espírito, se não estivermos convencidos de que Deus é nosso Pai, de que Ele me ama com um amor eterno e que há traçado meu plano de vida como um plano de amor. Em todo momento, também nas situações mais difíceis e dolorosas, sinto-me como um filho predileto de Deus. Sem um amor filial profundo, sem uma filiação simples e confiada, é impossível viver a entrega perfeita, sem medo nem reservas. Porque só um filho se sabe amado, seguro, acolhido. Sabe-se inscrito no coração de Deus Pai. Para um filho, sofrimento e cruz convertem-se assim em sua melhor aprendizagem, na alegria e riqueza de seu caminhar para a casa do Pai.

Qual deveria ser o fruto supremo de nosso esforço por transformar-nos em homens novos, em homens maduros e integrados? O grande fruto deveria ser: crescer decisivamente em mim o “ser filho”, conquistar uma filiação heroica ante Deus Pai. É uma filiação que me faz reconhecer com humildade heroica minhas misérias. É uma filiação que, com confiança heroica, me lança nos braços amorosos do Pai. E é uma filiação que com heroísmo leva a entregar-me ao Deus de minha vida, ao Pai das misericórdias, para sempre. 

Na opinião do Padre Kentenich, a filiação é o único caminho que em meio ao caos de nosso tempo, nos dá uma misteriosa lucidez e uma segurança instintiva. É também o grande remédio que logra sanar a enfermidade do homem de hoje: o stress com todas suas derivações. Porque stress é a perda do equilíbrio da alma. A alma perdeu seu rumo, está a deriva, não está orientada para Deus, nem amparada n’Ele. E a única solução para esse homem enfermo de hoje, é levá-lo de volta a Deus e enraizá-lo em seu coração de Pai.

Perguntas para a reflexão

1. É fácil para mim aceitar a vontade de Deus Pai nas cruzes e adversidades?

2. Que sinto hoje ante a frase: Deus faça comigo o que queiras?

3. Sou uma pessoa nervosa, que se angustia facilmente?

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quarta-feira, 7 de março de 2018

PORNOGRAFIA: A NOVA DROGA QUE ESTÁ ACABANDO COM OS JOVENS E ADOLESCENTES



Há cerca de dois anos, demos um celular para nosso filho mais velho, então com 14 anos. A partir de então, através dos grupos de Whatsapp que ele participa, fiquei estarrecida em ver o nível de promiscuidade dos adolescentes da sua geração e da quantidade de material pornográfico a que eles estão expostos.

A pornografia é uma indústria multibilionária que a partir da disseminação da internet de alta velocidade constatou um aumento incrível em seu lucro. Até então, o acesso aos materiais pornográficos (revistas e filmes) era bem mais restrito. Havia certa dificuldade para os adolescentes conseguirem estes materiais, seja porque precisavam de um “adulto” para adquiri-los ou ainda porque precisavam pagar pelos mesmos.

Agora, porém, tudo está ao alcance das mãos em apenas um click. E gratuitamente. Estudos recentes demonstram que a pornografia (e consequente masturbação) tem o mesmo potencial de vício que a cocaína. O efeito no cérebro é o mesmo. E as consequências desastrosas também. Quanto mais acesso à pornografia, mais necessidade o cérebro tem e cada vez de cenas mais fortes, mais picantes, chegando muitas vezes a verdadeiras aberrações.

A pornografia mata o amor e a indústria pornográfica é uma verdadeira “máquina de moer carne humana”. Aqueles que já estão viciados, tem uma grande dificuldade de relacionamento, acabam vendo a outra pessoa como um objeto para se obter o prazer. O que se mostra no material pornográfico é uma ilusão e as pessoas acabam pensando que aquilo pode e deve ser reproduzido na vida real. Conheço alguns casamentos jovens que sofrem com este mal. Do outro lado da tela, os atores que se prestam a esse serviço são explorados, muitas vezes viciados em entorpecentes e morrem cedo.

Vivemos numa sociedade hipersexualizada, onde praticamente tudo remete à sensualidade, à sedução. Nem mesmo as crianças são poupadas. A relação sexual é banalizada e vista como simples fonte de prazer e os jovens e adolescentes são as primeiras vítimas dessa mentalidade utilitarista. Desta forma a pornografia e a masturbação são vistas como uma coisa normal, que deve ser, inclusive, estimulada. Até mesmo em escolas católicas essa ideia errada sobre a masturbação é transmitida aos nossos filhos.

Os meninos são os mais atingidos por esse mal, porque a excitação masculina se dá através da visão. Todavia, cada vez mais meninas também estão se viciando na pornografia e masturbação, principalmente como forma de suprir carências afetivas. Como pais e educadores, precisamos ficar muito atentos aos nossos filhos, conversar MUITO com eles sobre todas essas questões. Explicar as razões pelas quais consumir pornografia e se masturbar NÃO É NORMAL e muito menos FAZ BEM para eles. O risco de adquirir um vício e destruir sua capacidade de amar verdadeiramente e de se relacionar com o outro é muito grande.

Algumas coisas que podemos fazer para diminuir o risco deles acessarem material pornográfico é estabelecer algumas regras: não levar o celular para o banheiro; se estiver usando o computador no quarto, a porta deve estar sempre aberta; limitar o tempo de acesso à internet (quanto maior o tempo, mais chances de acesso haverá); acessar o histórico de navegação, bem como checar as conversas em grupos do whatsapp e outras mídias sociais; etc. 

Recomendo a todos que acessem o site Fight the New Drug (combata a nova droga). Lá tem todo o material com as pesquisas científicas que comprovam essas alegações, bem como orientações de como se livrar desse vício e material de apoio para os pais. O site principal é em inglês, mas já tem bastante coisa traduzida. O link está aqui:http://pt.ftnd.org/

Recomendo também um curso do Pe. Paulo Ricardo, de apenas quatro aulas, que explica minuciosamente todo esse problema da pornografia e masturbação. Dessas quatro aulas, apenas uma fala sobre os problemas espirituais. As outras todas explicam das questões físicas, emocionais e sociais que o acesso à pornografia e prática da masturbação acarretam para as pessoas. Foi fazendo esse curso que me dei conta de tudo que envolve essa problemática. Colocarei aqui o link das quatro aulas. Aproveitem enquanto o acesso é livre!


photo credit: COMSALUD <a href="http://www.flickr.com/photos/69021332@N06/13966920065">I Congreso Juegos de Salud</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>


sábado, 3 de fevereiro de 2018

COMO TIRAR UM ADOLESCENTE DE UMA ENRASCADA



Há algum tempo li uma matéria com uma dica muito boa para ajudar seu filho adolescente em um momento de perigo. Infelizmente não lembro onde foi publicada, por isso não trago os créditos aqui.

A dica foi dada por um pai que trabalhava num centro de reabilitação para adolescentes com problemas com álcool e drogas. Ele percebeu que a grande maioria dos jovens que lá estavam havia se envolvido nesses comportamentos destrutivos por causa de uma ocasião mais propícia, junto com a pressão da turma.

Então, ele desenvolveu uma técnica para ajudar seus próprios filhos a saírem de uma situação onde haja algum tipo de perigo, ou onde eles se sintam desconfortáveis, sem que os outros amigos percebam. É o chamado “código X”. Ele combinou com seus filhos que se por acaso se encontrassem em alguma situação dessas, bastava mandar a letra “X” por mensagem ou para ele, ou para a mãe, ou para os irmãos mais velhos. Assim que a mensagem fosse recebida, os pais ligariam imediatamente para o telefone do jovem, perguntando onde ele estava, dizendo que iriam busca-lo.

Para os amigos, ele diria simplesmente que os “velhos” ligaram e ele iria embora. Mas aqui está o grande segredo para que esse “esquema” dê certo: ficava combinado entre pais e filhos que os pais não perguntariam absolutamente NADA sobre o que estaria acontecendo e que levou a acionar o “código X”. Dessa forma, o filho tem a confiança que pode contar com o apoio de seus pais para tirá-lo de uma situação de perigo, não importa o que seja, sem a pressão de precisar contar efetivamente o que estava acontecendo e correr o “risco” de ouvir algum sermão ou ser impedido de sair em outra oportunidade.

Claro que se o filho quiser se abrir, os pais ouvirão com o maior amor e cuidado, porém essa atitude tem que partir exclusivamente do filho. Nessa matéria, o autor conta que algumas vezes esse código foi acionado em sua casa e que pode tirar seus filhos de situações de risco, o que aumentou em toda família o clima de confiança e cumplicidade. Ainda não tenho experiência pessoal no assunto, mas meu filho mais velho já sabe do código X, caso venha a precisar algum dia.

Outra dica importante que aprendi para a segurança dos filhos, não importa a idade, é combinar com eles uma “senha”, caso algum desconhecido venha oferecer carona ou ajuda em nome dos pais. Seria a situação onde um adulto vá falar com a criança na escola, parque, clube, etc., dizendo que é amigo do pai ou da mãe e que os pais pediram para ele levar a criança pra casa. Meus filhos já sabem que se por acaso isso acontecer algum dia, eles precisam perguntar para o adulto em questão, qual é a “senha” que foi combinada para essa situação. Caso a pessoa não saiba, a criança deve sair de perto e pedir ajuda. Essa senha pode ser qualquer palavra, nome do cachorro, nome da avó, etc. Sempre que eles irão ficar sozinhos por algum tempo, lembramos da “senha”. Graças a Deus também nunca foi necessário usá-la, mas diz o ditado “seguro morreu de velho”.                              

photo credit: amira_a <a href="http://www.flickr.com/photos/46646401@N06/34941440550">#08</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ESCRAVIDÕES EXTERIORES E O NÃO APOSTÓLICO


O artigo de hoje foi extraído das Reflexões No. 21, do Pe. Nicolás Schweizer, IPSch, publicado em 01.11.2007.

Um campo que influi fortemente sobre nossa liberdade interior são as pressões que nos chegam de parte de outros. São por exemplo: pressões de pessoas próximas “que querem apenas o melhor para nós”. E com esse motivo nos invadem. 

Muitas vezes o permitimos, porque nos sentimos inseguros, não sabemos que fazer. Ou nós mesmos olhamos de soslaio aos outros, para ver como eles fazem, como faz a maioria. Ou queremos aparecer bem diante dos demais, para que não nos critiquem.

Mas eu sou eu mesmo. Tenho que viver minha própria vida, com meu estilo e ritmo particulares, meus limites e minhas originalidades. Minhas prioridades determinam minhas decisões. Os outros não podem decidir sobre mim, com seus pedidos, sugestões e pressões. 

É verdade, tenho que manter-me sensível frente às necessidades dos demais. Mas não podem atropelar minha liberdade interior, obrigar-me a fazer algo que não quero fazer. Nisso temos que unir ternura e firmeza.

Outro perigo são os meios de comunicação que nos querem pressionar e manipular. Resulta que esses meios, muitas vezes, pensam por nós, decidem por nós, planificam o futuro por nós. E permitimos que nos imponham tudo. E assim nos convertemos, aos poucos, em escravos da opinião pública ou como diria o Pe. José Kentenich, em homens massificados. Assim vamos perdendo a capacidade de tomar interiormente posição frente ao que escutamos ao que vemos ou lemos.

Fruto dessa mentalidade é o que o Pe. Kentenich chama de homem-cinema ou homem-televisão. É o homem descontínuo que vive de sensação em sensação, de impressão em impressão, a toda velocidade, sem parar, sem bússola e sem sentido. 

Um símbolo típico disso é o “zapping”. Desse homem, diz o Padre Kentenich, que perdeu sua alma, que é a descontinuidade personificada, a perfeita despersonalização. Aqui temos, com poucas palavras, a enfermidade e a cruz do homem moderno: é um homem que vive e depende de sensações superficiais.

Aí está também a moda, eixo ao redor do qual gira a sociedade pós moderna. As “revistas do coração” são as transmissoras: por exemplo, a mulher light imita a forma de vestir dos personagens que aparecem nelas, suas expressões, seu tipo de vida vazio. E tudo isso termina na frivolidade e superficialidade.

Devemos ser mais críticos frente à sociedade moderna, e frente aos valores ou anti-valores que propaga. E também devemos procurar fazer uma síntese serena de todas as notícias e opiniões que nos bombardeiam.

Outro tema importante para nós é o das ocupações, compromissos e tarefas apostólicas. Muitos de nós somos gente muito ocupada, e gente ocupada é gente importante. Entretanto, pode ser que sejamos simplesmente adictos ao trabalho. Ao melhor temos muito de Marta e pouco de Maria. E apesar disso talvez não possamos cumprir com tudo. Então, o que podemos fazer?

Primeiro teríamos que ter clareza sobre nossas prioridades pessoais. Ajuda muito, sobretudo em tempos de sobrecarga. E ao outro: será que não sabemos dizer não, quando nos pedem algo? 

Também no apostolado: “o não apostólico” é tão importante como “o sim apostólico”. Assim posso dedicar-me àquele apostolado para o qual tenho aptidão e carisma. Quando me propõem alguma tarefa, convém não aceitá-la logo senão pedir tempo para pensar ou conversar com o cônjuge.

Perguntas para a reflexão

1. Repito o que dizem os meios de comunicação, como verdades absolutas?
2. Quanto influi em mim a roupa de moda?
3. É-me difícil dizer não aos pedidos? Ou digo que sim e depois não cumpro?

photo credit: .v1ctor Casale. <a href="http://www.flickr.com/photos/49699516@N06/6711234961">Handcuffs</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ADÃO E EVA TINHAM UMBIGO?


Essa e outras questões levantadas por adolescentes, foram compiladas num livro de Mathew Pinto, chamado “Did Adam and Eve have belly buttons?” e respondidas de acordo com a doutrina católica. No post de hoje, colocarei algumas dessas questões muito interessantes para quem lida com jovens. Não é uma tradução literal do livro e possui alguns acréscimos feitos por mim. 

A teoria do Big Bang não explica a existência do mundo sem um Criador? 

Não, porque mesmo que a teoria do Big Bang seja verdadeira, ela não explica de onde a matéria que causou o Big Bang veio. E mesmo que você aceite, como alguns cientistas, que antes do Big Bang que iniciou o nosso universo, existia um número infinito de Big Bangs e Big Collapses ou universos anteriores, explodindo e se chocando, você ainda tem o mesmo problema. De onde essas coisas que os Big Bangs foram feitos vieram? 

Assim, já que o universo não explica sua própria existência, a explicação deve vir de algo a mais. E esse algo a mais só pode ser algo – na verdade, Alguém – que tem a existência em si mesmo, ou seja, Deus.

Se o sol e a lua marcam os dias e só foram criados no 4º dia, como eram definidos os primeiros dias?

Essa pergunta mostra um dos problemas de aceitar as histórias do Genesis como se fosse uma história completa e literal sobre a criação do mundo. Claro que algumas partes do Gênesis são históricas, como a existência de Abraão. Mas o catolicismo nos permite interpretar outras partes figurativamente, desde que nossa interpretação não contradiga outras doutrinas católicas.

Não precisamos presumir que as narrativas dos primeiros capítulos do Gênesis são estritamente históricos ou históricos em cada detalhe, para crer que houve uma Criação e a Queda do Humanidade, por exemplo. Quando pensamos no autor do Gênesis expressando a criação do mundo com licença poética, essa pergunta desaparece. 

De acordo com o primeiro capítulo do Gênesis, Deus criou e distinguiu a luz da escuridão no “primeiro dia”. Esse “dia”, entretanto, não é literalmente um período de 24 horas, mas uma forma poética de expressar que Deus criou as coisas em estágios, de uma forma ordenada, colocando cada coisa em seu devido lugar. Primeiro veio a luz, depois ele criou os lugares para as coisas, como o céu; separou a terra da água; encheu esses lugares com coisas, primeiro plantas na terra, depois o sol e a lua no céu, depois criaturas marinhas e pássaros. No último dia, criou os animais terrestres e por último, o ser humano.

Como o autor do Gênesis descreve, Deus partiu das criaturas mais básicas para a mais complexa, o ser humano – sua imagem e semelhança. O ser humano é o “resumo” da Criação, pois possui a matéria, como os minerais, a vida, como os vegetais, a inteligência, como os animais e a alma como os anjos.

Assim, a verdade histórica da criação narrada em Gênesis é uma coisa – Deus realmente criou o mundo e o ser humano. Porém, o quanto essa verdade é contata poeticamente, é outra coisa.

Adão e Eva tinham umbigo?

Por mais engraçada que essa pergunta possa parecer, ela é muito inteligente. Significa perguntar: “Se Deus criou diretamente Adão e Eva, eles não deveriam ter umbigos. Mas se eles evoluíram dos primatas, então eles teriam umbigo”.

Francamente ninguém sabe se Adão e Eva tinham umbigo. A Igreja não fala nada sobre isso porque ela não fala oficialmente de como ocorreu a criação. A Igreja está preocupada principalmente no porque a criação ocorreu e em quais implicações de nossa criação.

Deus pode ter criado Adão e Eva com umbigos, da mesma forma que os criou já adultos e não como crianças. Tem gente que afirma que eles tinham umbigos, porque Jesus é a considerado o “segundo Adão”, que redimiu toda a humanidade. Assim, como Jesus teve umbigo, para ser semelhante a Adão, este também deve ter tido umbigo...

Para mim parece que ou você acredita em Deus ou você acredita na teoria da evolução. Como é possível crer nos dois?

Acreditando que Deus usou a evolução como sua maneira de formar os seres humanos. Nesse sentido, você pode dizer que a única maneira que um católico pode acreditar na evolução é também acreditar na criação.

Quando as pessoas opõem a criação com a evolução, normalmente estão considerando a evolução como simples acaso e a criação como Deus literalmente formando o homem do pó e soprando a vida em suas narinas. Obviamente, considerando dessa maneira, criação e evolução não podem as duas serem verdadeiras. Mas se a evolução for considerada como um processo designado por Deus e a criação como um simples ato de Deus trazer o ser humano à existência, então não precisa haver conflito. Assim, não precisa ser criação ou evolução; podem ser ambas.

Existem, todavia, algumas afirmações, que são necessárias para um católico aceitar a teoria evolução. São elas:

1) Todas as coisas foram criadas por um Deus de amor

2) O ser humano é criado à imagem de Deus, o que significa, entre outras coisas, que ele é um ser espiritual, com os poderes de ter consciência de si mesmo e fazer escolhas livremente

3) Mesmo se o corpo do ser humano evoluiu, Deus ainda criou o ser humano porque Deus criou o processo de evolução e sua providência o conduziu para nascer a raça humana

4) Não importa a origem do corpo do ser humano, sua alma é uma criação especial de Deus, não o resultado de um processo de evolução. Isso acontece porque o espírito, ao contrário da matéria, é impossível de evoluir, já que não possui partes para evoluir de uma coisa para outra

5) Nós todos descendemos de um mesmo casal de pais

6) Nossos pais originais foram criados num estado de felicidade

7) Sua obediência foi testada e eles transgrediram a lei divina ao serem tentados pelo demônio

8) Eles perderam os dons sobrenaturais dados por Deus à raça humana

9) Eles transmitiram o pecado original para toda a humanidade

10) A eles foi prometido um redentor

Desde que as afirmações acima sejam aceitas, um católico pode adotar a teoria da evolução. Porém, ninguém é obrigado a aceitar essa teoria, se achar que não há evidencias suficientes. Qualquer católico pode aceitar que o Gênesis é uma narração literal, se ele quiser.

photo credit: jimforest <a href="http://www.flickr.com/photos/78953420@N00/12309449573">Adem & Eve: Rijksmuseum Amsterdam 4 Feb 2014 if</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 31 de outubro de 2017

QUAL A FINALIDADE DA SUA VIDA?

Essa pergunta só faz sentido para um ser humano. Um animal não tem capacidade intelectual para pensar sobre o sentido da própria vida. Ele vive para comer, dormir e se reproduzir. Nada mais. Já o ser humano, sente um anseio sobre o sentido de sua vida, a razão pela qual existe. Quem não sabe a resposta para essa pergunta ou a responde de maneira equivocada, acaba vivendo de forma muito semelhante aos animais.

Todo batizado deveria ter na ponta da língua a resposta para a finalidade da sua vida: estar, um dia, junto do Pai Criador, no Céu. O grande problema é que muitos cristãos vivem como os pagãos, colocam o sentido de sua vida no dinheiro, no prazer, no poder. Esquecem que o tempo que passarão na terra é muito breve, porém, sua alma é eterna, jamais morrerá e acabam por trocar a felicidade sem fim, por um breve tempo de gozos e alegrias. Jesus mesmo chama essas pessoas de loucos! “Mas Deus lhe disse: Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar? Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.” (Lc 12, 20-21)

Não há nada mais importante nesse mundo do que cuidar do destino da própria alma e das almas das pessoas que convivem conosco. É certo que precisamos cuidar da nossa subsistência, mas sem preocupações excessivas, pois, de uma hora para outra, a vida acaba e prestaremos conta sobre como gastamos o nosso tempo. Onde ficam os bens que acumulamos, as horas que passamos na frente de uma tela, o cargo que ocupamos, o tempo que gastamos buscando mais dinheiro, mais prazer? Não levaremos nada conosco. Tudo fica para trás.  

A questão é muito simples: você acredita que possui uma alma imortal que tem a possibilidade de passar a eternidade junto de Deus, pois Jesus Cristo te libertou da escravidão do pecado? Se a resposta for positiva, então a pergunta é: o que você está fazendo para que efetivamente sua alma vá para o Céu?

Precisamos estreitar a cada dia o nosso relacionamento com Deus, sermos íntimos dele, perguntar o que podemos fazer para agradá-lo, para retribuir tanto amor que recebemos todos os dias. Afinal, como você quer passar a eternidade com Deus se não o conhece, se não se relaciona com ele enquanto está aqui na terra? Não tem lógica nenhuma passar a vida como se Deus não existisse e depois de morrer querer ter um lugar junto dele no Paraíso.

Hoje infelizmente muitas pessoas querem passar a imagem de um Jesus “light”, que não exige nada, e que é só misericórdia e que todos serão salvos, independente de seus atos. Isso é enganação do inimigo de Deus. A salvação é para todos, mas Deus respeita a nossa liberdade de escolher o que fazemos com nossa vida. Sua divina providência vai procurar oferecer todos os meios para que aceitemos a salvação, mas no fim, depende da vontade de cada um.

Mas então isso significa que aqui só vou sofrer e não posso sentir prazer? Claro que não! Deus fez todos os prazeres desse mundo para aliviar o nosso fardo e para não desanimarmos na luta, mas devemos gozá-los de maneira moderada e não ficar buscando desesperadamente só o prazer pelo prazer, como se a nossa vida se resumisse ao que sentimos aqui.


“Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto e não nas coisas da terra. (...) Façam morrer aquilo que em vocês pertence à terra: fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir, que é uma idolatria. (...) Agora, porém, abandoem tudo isso: ira, raiva, maldade, maledicência e palavras obscenas, que saem da boca de vocês. Não mintam uns aos outros. (...) Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, sempre que tiverem queixa contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor perdoou vocês. E acima de tudo, vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição.” (Colossenses 3, 1-14)

photo credit: ivogelmann <a href="http://www.flickr.com/photos/45231498@N05/36820166076">Cloud - Sky Cloudscape Nature Blue Backgrounds Weather Bright Day Heaven Sky Sky Only No People Outdoors Beauty In Nature</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>